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AS RASPADINHAS SÃO UM PROBLEMA NEGLIGENCIADO? OS DADOS INDICAM QUE SIM

Um artigo científico de dois investigadores do ICVS / Escola de Medicina e psiquiatras no Hospital de Braga alerta para o grande consumo de raspadinhas e efeitos nefastos para a saúde
As raspadinhas são um vício negligenciado? A resposta está nos dados – que indicam que sim, são. O gasto médio por pessoa nestes jogos é de 160€ por ano em Portugal, um valor extremamente elevado quando comparado com os 14€ médios em Espanha. Os dados agora apresentados por Daniela Vilaverde e Pedro Morgado, investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Minho e do ICVS, bem como psiquiatras no Hospital de Braga, é publicado esta sexta-feira na The Lancet Psychiatry, a revista com maior impacto científico na área da psiquiatria.

“Os números em Portugal são brutais quando comparados com Espanha – e com o resto da Europa. Gastamos demasiado dinheiro em raspadinhas e isso significa que o número de pessoas com problemas de jogo patológico, adição ou vício do jogo, associado a raspadinhas também é potencialmente maior”, explica o investigador Pedro Morgado.

O grande consumo de raspadinhas em Portugal está associado a vários fatores, como indica Pedro Morgado: “em primeiro lugar, a facilidade de acesso e o grande número de pontos de distribuição; em segundo, a aceitação social e o baixo estigma associado a este tipo de vício; em terceiro, a grande publicidade que alguns órgãos de comunicação social fazem aos prémios atribuídos, com muitas histórias na primeira pessoa que fazem acreditar que ganhar muito é mais fácil do que efetivamente é. O facto de o resultado da aposta ser imediato é outro dos fatores que torna mais fácil as pessoas ficarem viciadas”.

“Em regra, os doentes chegam à consulta trazidos por familiares depois terem consumido todas as poupanças da família ou estarem com dívidas absolutamente incomportáveis”, relata o psiquiatra, advertindo para um fenómeno largamente ignorado pela sociedade. “Existe a perceção de que o número de pessoas com este problema tem aumentado, mas não existem estudos concretos que o demonstrem”.

No artigo publicado na prestigiada revista The Lancet Psychiatry, os autores citam o trabalho realizado com sucesso em Portugal na prevenção e tratamento das adições com tóxicos para apelar à implementação de medidas apropriadas para regular o jogo e encontrar estratégias de medição dos problemas existentes, de forma a que possam ser corrigidos.

Os dados usados no artigo são públicos e retirados dos responsáveis pelos jogos sociais de cada um dos países.

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