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Science & Society | News | COMO FORTALECER O COMBATE AO CANCRO DA BEXIGA? JULIETA AFONSO OFERECE UMA RESPOSTA

COMO FORTALECER O COMBATE AO CANCRO DA BEXIGA? JULIETA AFONSO OFERECE UMA RESPOSTA

A investigadora do ICVS e da Escola de Medicina da Universidade do Minho propõe a integração da terapêutica dirigida ao metabolismo tumoral com a imunoterapia – o que levará ao aumento da eficácia da imunoterapia em cancro da bexiga e melhorará a eliminação das células malignas
A pergunta tem resposta na manga. A equipa do Instituto de Ciências da Vida e Saúde e da Escola de Medicina da UMinho pretende integrar o metabolismo do tumor na equação para aumentar a eficácia da imunoterapia, uma terapêutica que ajuda o sistema imunitário a combater as células malignas, com resultados incontornáveis no controlo de tumores como melanoma e cancro do pulmão. Como é que funciona? Os ICI, na sigla inglesa, ou inibidores de checkpoints imunitários, libertam um travão natural no sistema imunitário de forma a que as células imunes (os linfócitos T) reconheçam e ataquem os tumores. Estes inibidores, que estão na origem do Nobel da Medicina de 2018, mostraram também boas respostas no cancro da bexiga, mas a taxa global de resposta é de apenas 15% a 25%. ​​

“Nem todos os doentes respondem à imunoterapia, ainda temos trabalho a fazer nessa área. Propomos esta ideia em doentes com cancro da bexiga que não respondem à terapêutica, porque um dos mecanismos de não-resposta parece ser realmente as células terem este tipo de metabolismo”, explica Julieta Afonso, responsável pelo trabalho que saiu na Nature Reviews Urology.

Os linfócitos T são atores principais – são as células imunes que reconhecem e atacam os tumores. No entanto, tanto os linfócitos T como as células malignas disputam a mesma fonte de energia: a glicose. “E o que acontece quando o tumor vence é que estas células malignas conseguem aproveitar-se mais da glicose do que os linfócitos T – impedindo-os de exercer a sua função”. A equipa de Julieta Afonso, coordenada pela Prof. Fátima Baltazar, sugere que este metabolismo competitivo pela glicose seja um dos alvos terapêuticos para aumentar a eficácia da imunoterapia.

Daí que o foco esteja voltado para este processo de competição pela glicose como forma de potenciar a eficácia da imunoterapia, visto que é nesta “batalha” que os linfócitos T são impedidos de exercer a sua função.

O cancro da bexiga não é tão mediático, mas acarreta elevados custos, como explica a investigadora Julieta Afonso: “É o décimo tumor mais frequente, a nível mundial. Só que tem uma particularidade: em termos de custos para os sistemas de saúde é o que tem mais impacto. A maioria são até tumores superficiais, de mais fácil tratamento, mas o que acontece é que estes tumores têm uma taxa de reincidência muito elevada [acima dos 50%], o que requer uma vigilância muito apertada e pode requerer novas cirurgias. A isto acresce o risco de progressão para formas invasoras, e a heterogeneidade na resposta aos tratamentos clássicos”.

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