Login | SITEMAP | FAQS

Science & Society | News | Três projetos do ICVS da Escola de Medicina premiados pela Fundação LaCaixa

Três projetos do ICVS da Escola de Medicina premiados pela Fundação LaCaixa

Uma nova esperança para tratar a depressão, o material mais fino do mundo como descodificador do nosso cérebro, e “virus bons” que atacam infeções bacterianas. A investigação volta a estar em destaque nas bolsas atribuídas pela Fundação La Caixa, através do programa Caixa Health Research 2021. Três equipas do nosso centro de investigação garantem mais de um milhão de euros em projetos.

As equipas de João Filipe Oliveira, Joana Azeredo e Jorge Pedrosa, e de Luís Jacinto e Patrícia Monteiro foram três das selecionadas para receber bolsas da fundação espanhola no âmbito do CaixaHealth Research 2021.

A equipa de João Filipe Oliveira desenvolveu um projeto onde vai investigar o papel dos astrócitos, células abundantes no nosso cérebro, na depressão. O objetivo é simples – e ambicioso: prevenir e tratar a doença. O projeto liderado pelo neurocientista foi um dos grandes vencedores nesta área, angariando meio milhão de euros para a sua investigação.

Luís Jacinto e Patrícia Monteiro pretendem clarificar as bases neurobiológicas das doenças que afetam o cérebro e subsequentemente permitir o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico e terapia. Tudo isto com grafeno: o material mais fino do mundo. A equipa dos investigadores do ICVS integra um consórcio liderado pelo INL, recebendo um financiamento de um milhão de euros para o projeto – sendo 440 mil euros alocados ao ICVS da Escola de Medicina.

Numa parceria com o Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho (CEB), a equipa de Jorge Pedrosa, investigador do ICVS, está também entre os premiados desta edição do Caixa Health Research. O projeto, encabeçado por Joana Azeredo, investigadora do CEB, quer usar “virus bons” geneticamente modificados para atacar infeções por bactérias resistentes aos antibióticos, um problema emergente de saúde pública.  

Na edição do ano passado, duas equipas do ICVS da Escola de Medicina destacaram-se com dois projetos vencedores de bolsas no âmbito do Caixa Health Research, liderados por Ana João Rodrigues e António Salgado.

Como é que uma célula em formato de estrela pode tratar a depressão?

Os astrócitos são peça central no projeto liderado por João Filipe Oliveira. E o que são estes astrócitos? Simplesmente são células com forma de estrela muitos comuns no nosso sistema nervoso central e que dialogam continuamente com os neurónios.

A equipa de investigação do ICVS percebeu que estas células podem ter um papel essencial no comportamento tipo-depressivo – e este projeto visa isso mesmo. Estudando a comunicação entre astrócitos e neurónios, João Filipe Oliveira percebeu que o silenciamento de funções dos astrócitos permite modificar a instalação da depressão.

João Filipe Oliveira explica o projeto em vídeo,aqui.

O grafeno também pode ser útil para descodificar as doenças do nosso cérebro?

O grafeno tornou-se muito conhecido por ser o material mais fino do mundo – e garantir imensas aplicações com isso. Mas poderá também ajudar a descodificar as doenças do nosso cérebro? Luís Jacinto e Patrícia Monteiro, juntamente com o consórcio liderado pelo INL, confirmam.

O projeto “NeuralGRAB” quer desenvolver uma interface inovadora que permite medir a comunicação entre as células do cérebro com uma resolução sem precedentes. Através da tecnologia, e explorando as características únicas do grafeno, os investigadores poderão clarificar as bases neurológicas das doenças que afetam o nosso cérebro e, subsequentemente, permitir o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico e de terapia.

Luís Jacinto e Patrício Monteiro explicam mais sobre o projeto, aqui.

Os vírus também podem salvar vidas

Joana Azeredo e Jorge Pedrosa trabalham há vários anos com “vírus bons”. Sim, também existem vírus bons, que podem responder a problemas emergentes de saúde pública – nomeadamente, neste projeto, explorando-se o potencial de vírus para tratar infeções bacterianas. De facto, infeções provocadas por bactérias resistentes a todos os antibióticos conhecidos são cada vez mais um problema com que se deparam os clínicos, mesmo nos hospitais dos países com mais recursos, estimando-se que em 2050 mais de 10 milhões de pessoas possam morrer em todo o mundo devido a infeções por bactérias multirresistentes.

A partir de vírus que infetam bactérias, e que são seus predadores naturais - os fagos - a equipa do CEB e do ICVS vai procurer criar uma plataforma sintética que visa produzir fagos geneticamente modificados mais seguros e eficazes, direcionados para tratar infeções específicas de cada doente, de uma forma personalizada. Fazem também parte da equipa do projeto Miguel Rocha (CEB), Óscar Dias (CEB), Hugo Oliveira (CEB), Priscila Pires (CEB), Sílvio Santos (CEB), Ivone Martins (CEB), Luís Melo(CEB), Ana Oliveira (CEB) e Alexandra Fraga (ICVS).

Os fagos (abreviatura de bacteriófagos) são os virus das bactérias e na natureza têm um papel importantíssimo no controlo das populações bacterianas. Essa característica pode ser usada em proveito da humanidade para desenvolver terapias antibacterianas inovadoras e naturais que podem substituir ou complementar o uso dos antibióticos no tratamento de doenças infeciosas. 

Os investigadores vão, assim, encontrar soluções para infeções que continuam sem resposta antibiótica.

Joana Azeredo e Jorge Pedrosa explicam o projeto em vídeo, aqui.


Copyright © 2012-2016 ICVS. All rights reserved.